«Quem vem e atravessa o rio…

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Lindo!

... junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar.»

Panos da louça…

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É parecido, não é?

 Esta história de dizer que tem de se construir o tgv porque está fora de questão perder dinheiros comunitários é a mesma coisa que dizer que temos que gastar 10.000€ em panos da louça para não perdermos os vales de desconto do supermercado...

não há aumento de impostos

Não há aumento de impostos, excepto... e excepto... e excepto...

Da novilíngua

Leio que José Sócrates dá hoje uma "conferência de imprensa". Tenho só uma dúvida: é daquelas conferências em que os jornalistas colocam perguntas e obtêm respostas, ou é daquelas sessões fotográficas em que depois se corre atrás de um "não faço comentários"?

Aumento de impostos

Efeito médio anual, por contribuinte, da limitação das deduções e beneficios fiscais por escalão de IRS

Rendimento colectável anual (em euros) Agravamento médio do IRS por contribuinte (em euros)
Até 4 793 0
De mais de 4 793 até 7 250 0
De mais de 7 250 até 17 979 100
De mais de 17 979 até 41 349 180
De mais de 41 349 até 59 926 390
De mais de 59 926 até 64 623 580
Superior a 64 623 700
Fonte: Ministério das Finanças

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Pelo direito ao TGV


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Quanto custa um “emprego verde” ?

Energias renováveis destroem 2 empregos por cada 1 que criam

Um estudo da Universidade Rey Juan Carlos, de Madrid, sobre o impacto no emprego das ajudas públicas às energias renováveis, conclui que 2,2 postos de trabalho são destruídos por cada “emprego verde” criado em Espanha, o que significa que os 50.227 empregos gerados nas renováveis desde 2000 levaram à destruição de 110.500 no resto da economia.

Por sua vez, cada “megawatt verde” instalado no país destrói em média 5,28 postos de trabalho, sendo que essa destruição atinge os 8,99 empregos no caso dos investimentos na indústria fotovoltaica, 4,27 na eólica e 5,05 nas mini-hídricas.

O documento desta universidade pública recorda que “a actual política e estratégia da Europa para a criação de ‘empregos verdes’ se tornou numa das principais justificações para as propostas da Administração Obama nesta área”.

Mas uma análise da experiência europeia, nomeadamente da experiência espanhola, “revela que esta política é terrivelmente contraproducente em termos económicos e, de facto, destrói postos de trabalho”.

O estudo calcula que a Espanha gastou 571.138 euros desde 2000 para criar cada “emprego verde”, incluindo subsídios de mais de um milhão de euros por cada posto de trabalho na indústria eólica.

(via João Miranda)

O estudo, coordenado por Gabriel Calzada, está disponível aqui.


Pontapé nos tomates

Carta aberta do jornal alemão Bild, ao Primeiro Ministro Grego. Podia ser endereçada ao Primeiro Ministro português seja qual for

We want to be friends with the Greeks. That’s why since joining the euro, Germany has given your country €50bn.

Dear Mr Prime Minister,

If you read this print, you’ve entered a country completely different from yours. You’re in Germany.

* Here, people work until they are 67. There is no longer a 14-month salary for civil servants.

* Here, nobody needs to pay a €1,000 bribe to get a hospital bed in time.

* And we don’t pay pensions for the General’s daughters who sadly can’t find husbands.

* In this country, the petrol stations have cash registers, the taxi drivers give receipts and farmers don’t swindle EU subsidies with millions of olive trees that don’t exist.

Germany also has high debts – but we can meet them.

* That’s because we get up reasonably early and work all day. Becuase in good times we always spare a thought for the bad times. Becuase we have good firms whose products are in demand around the world.

Dear Mr Prime Minister, today you are in the country that sends umpteen-thousand of tourists and money aplenty to Greece.

We want to be friends with the Greeks. That’s why since joining the euro, Germany has given your country €50bn.

For this reason, we are writing to you,

Yours,

Bild Editorial

PS In case you want to write back, we have enclosed a stamped addressed envelope. Of course, we want to help you to save…


A toponímia republicana e Fernando Pessoa

 

 

Na Imagem: Afonso Costa e outros republicanos na cerimónia

 oficial da substituição da placa toponimíca pela nova do Largo do Directório.

 

Um dos poucos indiscutíveis atributos dos republicanos de 1910 foi o revisonismo de grande parte da toponímia nacional: por exemplo em Lisboa, entre muitas outras renomeações, a avenida Rainha D. Amélia passou a chamar-se avenida Almirante Reis, o comandante da revolta que se suicidou dois dias antes da revolução, a avenida Ressano Garcia, foi rebaptizada avenida da República, e a Av. António Maria Avelar é hoje conhecida por avenida 5 de Outubro.

Também o sitio onde nasceu Fernando Pessoa, refinado antipatizante do regime e da sua casta emergente, o Largo de S. Carlos, onde se situou a sede(directório) do Partido Republicano Português foi vítima da sua voracidade recriadora e passou a chamar-se Largo do Directório. Sobre o assunto, na célebre carta a João Gaspar Simões, Fernando Pessoa diz, a dado passo: «O sino da minha aldeia, Gaspar Simões, é o da Igreja dos Mártires, ali no Chiado. A aldeia em que nasci foi o Largo de S. Carlos». Esta é a parte mais conhecida, mil vezes citada, mas o texto vulgarmente omitido continua assim: " (...) foi o Largo de S. Carlos, hoje do Directório, e a casa em que nasci foi aquela onde mais tarde (no segundo andar; nasci no quarto) haveria de instalar-se o Directório Republicano. (Nota: a casa estava condenada a ser notável, mas oxalá o 4.º andar dê melhor resultado que o 2.º)»

 

*Com a colaboração de Vasco Rosa

 

Publicado originalmente aqui

A República de António Costa

A Câmara de Lisboa assinou um protocolo com a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Pretende «associar as características do regime republicano aos valores da cidadania numa sociedade democrática» (ponto 2.1) e, simultaneamente, «aprofundar o conhecimento dos acontecimentos», «até à época actual» (ponto 2.2).

Trata-se de uma contradição nos termos: como vamos associar a I República aos «valores da cidadania nuna sociedade democrática» se, como todos sabemos, esta revolução substituiu um regime constitucional, com alternância democrática, imprensa livre e liberdade de culto por um regime de partido único, sem liberdade de imprensa, onde se confundiu laicismo com ateísmo jacobino e houve lugar para perseguições aos sindicatos? Já para não falar no crime fundacional que constituiu o assassinato do Chefe de Estado.

E o que dizer do que se passou depois na chamada «longa noite» com o mesmo sistema de partido único, sob a capa de União Nacional, a censura e o condicionamento das liberdades religiosa, sindical e de associação?

Temos assim 64 anos de República, ou de ditadura, ou das duas coisas. Diz António Costa que a II República não conta. Defende então uma memória ideológica? Uma espécie de historiografia de supermercado em que se vai buscar, a cada prateleira, apenas o que se quer ter em casa? Se os valores democráticos da República só contam a partir de 74, que centenário é este celebrado com tanta antecedência?

Não me coloco contra estas comemorações que confundem o que esteve para ser, com o que foi. Nem proponho, pelo contrário, que se celebre a República confiando no desfecho autofágico das comemorações expostas ao ridículo de uma propaganda anacrónica, desnecessária, dispendiosa.

Proponho que se aproveite esta oportunidade histórica para se incentivar a investigação e a divulgação do que esteve para acontecer, mas não aconteceu, e do que realmente aconteceu. Talvez assim se resgatem alguns valores da ética que, aparentemente, precisa de não ser republicana para ser verdadeiramente ética.